Aqui no D-Taimes, sob a minha lupa de análise, Alice Drummond, é imperativo ir além do título e destrinchar os movimentos que entrelaçam a gestão pública e as pautas cruciais da nossa sociedade. A recente aprovação da Política Ambiental da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) pelo Conselho Universitário (Consuni) é, sem dúvida, um marco. Mas, como sempre, a questão que se impõe é: qual o peso real desse “marco” no dia a dia do cidadão e no panorama de governança do país?
Ufal Abraça a Agenda Verde: Compromisso Duradouro ou Resposta Necessária?
Após mais de uma década de discussões e reformulações, a Ufal finalmente formaliza sua Política Ambiental, um documento que promete guiar as ações de sustentabilidade em todos os seus campi. Em 11 de novembro de 2025, a resolução foi aprovada, estabelecendo princípios como desenvolvimento sustentável, justiça socioambiental, participação democrática, transparência e, notavelmente, o incentivo à inovação tecnológica e o estímulo a práticas sustentáveis em ensino, pesquisa e extensão. A universidade se alinha, de maneira expressa, aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas.
Os objetivos estratégicos são abrangentes: desde a gestão sustentável do território universitário e a recuperação de áreas degradadas, passando pelo estímulo à mobilidade ativa e ao transporte sustentável, até o enfrentamento dos desafios relacionados ao uso da água, manejo de resíduos e a promoção da alimentação saudável. Um ponto que merece atenção especial é a adoção de critérios de sustentabilidade em obras, compras e contratações, uma diretriz que, se bem implementada, pode reverberar positivamente nas práticas de mercado e pressionar fornecedores a se adequarem a padrões mais ecológicos.
A Burocracia da Sustentabilidade: Um Caminho de Dez Anos
É impossível ignorar que essa política é “fruto de uma discussão que já tem mais de dez anos”, como destacou a professora Nélia Callado, assessora da reitoria e figura central nas comissões que antecederam a aprovação. Desde 2009, diversas tentativas foram feitas para consolidar este documento. Esse longo percurso levanta questionamentos sobre a agilidade e a prioridade dadas às pautas ambientais dentro das instituições públicas. O que realmente impulsionou a aprovação neste momento? Seria uma amadurecimento genuíno da consciência ambiental ou uma necessidade premente de conformidade com normativas legais e pressões globais, como as diretrizes da Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P) e o Marco Legal da Gestão de Resíduos?
Diogo Carlos Henrique, gerente de Meio Ambiente da Pró-reitoria de Infraestrutura (Proinfa), salienta que a aprovação “constitui um marco legal importante na instituição”, permitindo a elaboração de outros instrumentos normativos. A criação da Comissão Gestora da Política Ambiental, com representantes de diversos setores da universidade e do Diretório Central dos Estudantes (DCE), com natureza avaliativa, consultiva e deliberativa, é um passo fundamental para garantir a governança e a continuidade das ações, “frente às mudanças de gestão”. Contudo, a efetividade desse conselho dependerá de sua capacidade de traduzir o papel normativo em ações concretas e fiscalizáveis.
O Impacto para Além dos Muros da Ufal
A ambição da Ufal em se tornar “referência em gestão ambiental”, além de sua tradicional excelência em ensino, pesquisa e extensão, é louvável. Para o cidadão comum, o impacto pode ser percebido de diversas formas: um campus com melhor infraestrutura verde, opções de transporte mais sustentáveis, incentivo à alimentação saudável e, mais amplamente, a formação de profissionais e pesquisadores imbuídos de uma cultura de sustentabilidade.
No entanto, a verdadeira prova de fogo será a implementação das Políticas Ambientais Setoriais, que abordarão temas cruciais como energias renováveis, eficiência energética e monitoramento de emissões de gases de efeito estufa. Cada uma dessas políticas deverá vir acompanhada de diagnósticos robustos, metas claras, indicadores de desempenho e responsáveis definidos. É nesse nível de detalhe e execução que o compromisso institucional se traduz em impacto real.
A Ufal, como uma instituição federal, tem a responsabilidade de ser um farol. A aprovação desta política é um sinal positivo, mas a sociedade – e o D-Taimes – estará atenta para garantir que o compromisso ambiental vá além do papel, transformando-se em ações que realmente moldem um futuro mais sustentável para Alagoas e para o Brasil.
