Alex Braga aqui, e hoje mergulhamos de cabeça em uma notícia que promete redesenhar o panorama do futebol brasileiro. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) fez um movimento ousado, anunciando, em 26 de novembro, o Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF). A partir de 1º de janeiro de 2026, o fair play financeiro não será mais uma conversa distante, mas uma realidade iminente para todos os clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro. E a pergunta que ecoa é: o que realmente muda?
Essa iniciativa, revelada no Summit CBF Academy em São Paulo, é um divisor de águas. Por anos, vimos nossos clubes se afundarem em dívidas, com gestões muitas vezes irresponsáveis comprometendo o futuro. O SSF chega com quatro pilares que visam estancar a sangria e pavimentar um caminho para a profissionalização e a saúde financeira.
Controle de Dívidas em Atraso: A partir de 2026, toda e qualquer dívida nova estará sob os olhos atentos da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF). Serão três “pentes-finos” anuais – 31 de março, 31 de julho e 31 de novembro – para garantir que os clubes honrem seus compromissos. Chega de calotes e atrasos crônicos!
Equilíbrio Operacional: Aqui, a regra é clara: os clubes deverão fechar o ano com superávit operacional. Para a Série A, um déficit máximo de R$ 30 milhões (ou 2,5% das receitas) será tolerado. Na Série B, o teto é de R$ 10 milhões. Isso exige uma gestão muito mais austera e inteligente, focada em gerar receitas sustentáveis, e não apenas em gastos desmedidos.
Controle de Custos com o Elenco: Este é um dos pontos mais sensíveis. O custo total do elenco não poderá exceder 70% da soma das receitas, transferências e aportes. Nos próximos dois anos, as equipes terão um período de transição para se adaptar. É uma medida que forçará os clubes a repensarem suas políticas de contratação e a valorizarem suas categorias de base, investindo em talentos com maior potencial de retorno financeiro e esportivo.
Capacidade de Endividamento de Curto Prazo: As dívidas líquidas de curto prazo deverão ser iguais ou inferiores a 45% das principais receitas dos times. Isso evita que os clubes se alavanquem de forma insustentável, comprometendo a liquidez e a capacidade de investimento futuro.
E se as regras não forem seguidas? As sanções não são brandas. Clubes em recuperação judicial podem ter a folha salarial congelada, janelas de transferências bloqueadas e serão obrigados a acordos de reestruturação compatível com o SSF. Ou seja, a CBF está mostrando que a brincadeira acabou.
Em minha análise, o SSF é um passo fundamental para a modernização do futebol brasileiro. Não será fácil. Muitos clubes precisarão de uma verdadeira engenharia financeira e cultural. Mas o objetivo é nobre: criar uma liga mais forte, competitiva e, acima de tudo, sustentável. Chega de voos de galinha e de administrações que deixam um rastro de terra arrasada. É hora de responsabilidade, planejamento e um olhar de longo prazo. O futebol que tanto amamos merece isso.
Vamos acompanhar de perto cada movimento dessa transformação. Será um desafio e tanto, mas a promessa de um futebol mais sólido e equilibrado é um prêmio que vale a pena perseguir.
