Bem-vindos ao meu espaço! Alex Braga aqui, e hoje vamos além da tática e dos resultados para mergulhar em uma história de paixão, identidade e resistência que pulsa forte no coração do futebol brasileiro. O Brasileirão, a Champions, tudo isso é emocionante, mas as raízes do nosso esporte contam narrativas ainda mais poderosas.
Acaba de ser lançado o documentário “Por que esse clube mete tanto medo em racista?“, uma produção essencial do canal Peleja, que se propõe a resgatar a trajetória da Associação Atlética Ponte Preta. E aqui, meus amigos, não falamos apenas de um clube de futebol, mas de um verdadeiro farol de resistência e identidade negra em Campinas, no interior de São Paulo.
Em um período de forte segregação social e com uma cidade marcada pelo histórico brutal da escravidão, a Ponte Preta, carinhosamente conhecida como “Macaca”, abriu suas portas e seus gramados para os trabalhadores negros das ferrovias. Rapidamente, o clube deixou de ser apenas um time para se tornar um espaço vital de convivência, pertencimento e afirmação para a comunidade negra. Uma história que os registros oficiais do futebol muitas vezes optaram por invisibilizar, mas que agora ganha a luz que merece.
O filme não apenas revisita momentos icônicos do time, mas destaca a figura lendária de Miguel do Carmo, apontado por historiadores como o primeiro jogador negro do futebol brasileiro. Sua influência foi decisiva na própria formação do clube, um pioneirismo que ressoa até hoje. O roteirista Juliano Pupo, do Peleja, enfatiza a importância de dar visibilidade a essa narrativa, reforçando o papel da Ponte Preta na afirmação da identidade negra, algo que, infelizmente, ainda não recebe a atenção devida, especialmente por ser um time do interior.
E o futebol não seria o mesmo sem seus personagens da arquibancada. O documentário faz questão de honrar figuras simbólicas como Dona Ana, torcedora histórica que, com sua capela no Estádio Moisés Lucarelli, personificava a alma pontepretana. Sua presença, assim como a da mascote Ponteca, sublinha o papel crucial e muitas vezes subestimado das mulheres negras e da torcida feminina na construção da cultura do clube. São relatos emocionantes de historiadores, torcedores fervorosos e famílias que viveram o dia a dia do bairro, testemunhando a transformação social impulsionada pela Macaca.
Murilo Megale, CCO do Peleja, sintetiza bem a proposta: “A Ponte une passado e presente de maneira muito particular, e esse documentário busca refletir sobre esse legado num momento em que a discussão sobre identidade e raízes ganha ainda mais relevância.” E não poderia concordar mais. No esporte, assim como na vida, entender de onde viemos é fundamental para compreendermos quem somos.
Disponível no canal do Peleja no YouTube e nas redes sociais, esta é uma obra que todo amante do futebol — e da história social do nosso país — precisa assistir. É um lembrete poderoso de que o esporte é um espelho da sociedade, um palco de glórias, mas também de lutas por justiça e igualdade. E que venham mais histórias assim!
