O Paradoxo de Grossos: Milhões em Royalties, Serviços Públicos em Colapso e a Urgência de uma Investigação
Por Alice Drummond, D-Taimes
A pequena cidade de Grossos, no Rio Grande do Norte, com pouco mais de 10 mil habitantes, vive um contraste alarmante que exige a atenção imediata do Ministério Público e de outros órgãos de controle. Enquanto milhões de reais em royalties de petróleo e gás oxigenam os cofres municipais – com a ANP repassando R$ 63,3 milhões neste ano, uma média de R$ 5,8 milhões por mês –, a população padece com a degradação de serviços públicos essenciais.
Os dados do IBGE revelam uma realidade chocante. Na Educação, Grossos ocupa a 115ª posição entre os 167 municípios do RN em taxa de escolaridade, e uma desoladora 3.775ª entre os 5.570 municípios brasileiros. A infraestrutura básica não é menos precária: apenas 1,28% dos domicílios conta com esgotamento sanitário adequado, colocando Grossos na 147ª posição no estado. A urbanização também é deficiente, com somente 11,2% das residências apresentando bueiro, calçada, pavimentação e meio-fio.
Essa disparidade entre a riqueza de receitas e a pobreza de infraestrutura e serviços levanta um questionamento inevitável: para onde está indo o dinheiro? O “D-Taimes” apurou que, em meio a essa crise social, a gestão da prefeita Cinthia Sonale destinou mais de R$ 2,5 milhões apenas para o Carnaval de 2025, com cachês individuais que superam os R250 mil. Um verdadeiro “pão e circo” que desvia recursos cruciais do desenvolvimento local, ignorando as necessidades mais básicas da população.
A situação em Grossos não é um caso isolado e ecoa práticas questionáveis observadas em outras administrações públicas. Em Mossoró, por exemplo, o prefeito Allyson Bezerra, da União Brasil, tem sua gestão sob os holofotes por um aditivo de mais de R$ 2 milhões para a decoração natalina – uma ornamentação praticamente idêntica à dos últimos cinco anos. Além disso, o artista plástico Túlio Ratto denunciou publicamente não ter recebido o pagamento por duas telas adquiridas pela prefeitura.
É imperativo que o Ministério Público e as instâncias de controle aprofundem suas investigações para desvendar o que acontece com as vultosas receitas de Grossos. A riqueza proveniente de recursos naturais deve se traduzir em melhorias concretas para a vida dos cidadãos, e não ser dissipada em gastos supérfluos, enquanto a cidade mantém a estrutura de um município empobrecido. A transparência e a responsabilidade na gestão pública são pilares para a construção de um futuro digno para seus habitantes. O poder público tem a obrigação de servir ao povo, e não se servir dele.
