A declaração da Ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante a FliRui no Rio de Janeiro, não foi apenas um discurso, mas um alerta incisivo sobre a perene vigilância que a democracia exige. Em um cenário político ainda marcado pelas cicatrizes de uma tentativa de golpe, suas palavras ressoam com a gravidade da responsabilidade institucional e o impacto direto na vida de cada cidadão.
“Se tivessem dado golpe, eu estava na prisão, não poderia nem estar aqui julgando”, afirmou a ministra, traduzindo de forma visceral a ameaça real que pairou sobre as instituições. Esta frase, simples em sua formulação, carrega o peso de um sistema de justiça que, se corroído, levaria ao silenciamento e à arbitrariedade. O D-Taimes tem acompanhado de perto as intrincadas conexões entre as decisões em Brasília e a estabilidade social, e a fala de Cármen Lúcia sublinha o elo inquebrantável entre a atuação do Judiciário e a manutenção das liberdades.
A lembrança dos documentos que articulavam a “neutralização” de ministros do Supremo, mencionada pela ministra, é um lembrete gélido de que as ameaças à democracia não se manifestam apenas em atos explícitos, mas também em intenções veladas e em discursos que corroem a legitimidade institucional. Como analista, vejo nestas revelações a demonstração de como o poder político, quando desvirtuado, busca desmantelar os pilares que garantem o equilíbrio e a legalidade. A condenação recente do ex-presidente Jair Bolsonaro, a 27 anos e 3 meses de detenção em regime fechado pelo seu papel na trama golpista, contextualiza a urgência e a relevância das reflexões de Cármen Lúcia. O Judiciário age para proteger o que a Constituição consagra.
A metáfora das “ervas daninhas” para descrever as ditaduras é particularmente potente. “A erva daninha da ditadura é igualzinha, não precisa de cuidado. Ela toma conta, ela surge do nada”, pontuou a ministra. Em contraste, a democracia exige “construir todo dia, trabalhar todo dia”. Esta é a essência da intersecção que buscamos desvendar no D-Taimes: a democracia não é um dado, mas uma construção constante, exigindo participação ativa e discernimento crítico dos cidadãos, dos poderes e da imprensa.
A fala de Cármen Lúcia é um chamado à consciência cívica, um reforço de que a “experiência de vida” democrática é uma escolha diária, uma luta contínua pela prevalência do direito sobre a força. Em um país que ainda se recupera de abalos institucionais, a clareza e a firmeza da Ministra servem como um farol para a compreensão de que a resiliência democrática depende da vigilância incessante contra qualquer tentativa de subversão.
