Bem-vindo ao meu espaço. Sou Alex Braga, e hoje, o campo é palco para algo muito mais urgente do que a disputa por pontos. Corinthians e Botafogo, rivais históricos da 36ª rodada do Brasileirão, se unem em uma iniciativa que transcende as quatro linhas: a luta contra a violência à mulher e o feminicídio.
Neste domingo, na Neo Química Arena, os uniformes alvinegros carregarão uma mensagem poderosa. Os tradicionais números nas costas dos jogadores foram redesenhados de forma impactante: são radiografias reais de mulheres vítimas de agressão, compondo a campanha “Números Quebrados”. Na barra frontal da camisa, um questionamento forte: “Quem matou?”. Ao lado, os nomes de mais de 40 mulheres brutalmente assassinadas em casos de feminicídio pelo país, transformando a camisa em um doloroso memorial.
Os dados apresentados pelos clubes são um soco no estômago: o Brasil é o quinto país no ranking mundial de feminicídios, com 1.492 mulheres mortas no último ano – uma média de quatro por dia. E o mais alarmante para nós, que vivemos o esporte intensamente, é que essa estatística sobe 26% em dias de jogos de futebol. O que isso nos diz sobre a pressão, a tensão e, infelizmente, a violência que muitas vezes se esconde por trás da paixão? Isso não é apenas um jogo; é um espelho da nossa sociedade.
Ver dois gigantes do nosso futebol deixando a rivalidade de lado para abraçar uma causa tão vital é um exemplo a ser seguido. O futebol, com sua capacidade ímpar de mobilizar e engajar milhões, tem o dever moral de usar essa voz para o bem. A ação de Corinthians e Botafogo não é apenas uma campanha; é um clamor, um lembrete de que a violência contra a mulher é uma chaga social que exige a atenção e o comprometimento de todos. É um sinal de que, sim, o esporte bretão pode e deve ser uma ferramenta de transformação.
Que esta união em campo não seja um ato isolado, mas o início de uma mobilização contínua. Que os “Números Quebrados” nas camisas inspirem a quebra de um ciclo de violência que assola nosso país. Que a pergunta “Quem matou?” encontre respostas e, principalmente, que a conscientização de hoje leve a um futuro onde nenhuma mulher seja mais um número. O esporte, em sua essência, é sobre superação e respeito. É hora de aplicarmos esses valores fora do campo também.
